
A coordenadora de Zoonoses e Vigilância de Fatores de Risco Biológicos da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), Mariana Gontijo, aponta que ambientes como de matas, rios, cachoeiras e que possuem criação de animais domésticos como cães, cavalos, bem como ambientes com a presença de animais silvestres como capivaras ou gambás são propícios para os carrapatos. A infestação deste vetor aumenta no período dos meses de junho a novembro, quando se observa aumento da densidade da população em forma de ninfas.
O uso de roupas de cor clara, vestimentas longas, calçados fechados – preferencialmente de cano longo e utilização de meias brancas – são algumas medidas práticas e simples que contribuem para prevenção quando se frequenta ambientes favoráveis à presença de carrapatos. O uso de equipamentos de proteção individual para atividades ocupacionais como capina e limpeza de pastos também é importante. “Se forem verificados carrapatos no corpo, deve-se retirá-los com leves torções e com auxílio de pinça, evitando contato com as unhas e o esmagamento do animal”, indicou a coordenadora.
Recomenda-se também o uso de repelentes à base da substância Icaridina, que são eficazes na prevenção de picadas por carrapatos em indivíduos que frequentam ambientes favoráveis à presença desses animais. Atenção também em relação às formas de larva e ninfa do carrapato no ambiente. “Tais formas são muito pequenas e de difícil visualização. Por isso tendem a permanecer mais tempo aderidas ao corpo, o que facilita a transmissão da bactéria responsável pela transmissão da doença”, ressaltou Mariana Gontijo.
Além dos cuidados de aspecto individual, também é importante providenciar a utilização periódica de carrapaticidas em cães, cavalos e bois, conforme recomendações do profissional médico veterinário, evitando com que animais tão presentes no cotidiano das pessoas fiquem infestados.
Situação em Minas
A febre maculosa em Minas Gerais ocorre em todo o território do Estado, predominantemente nas macrorregiões de saúde Centro, Sudeste, Leste, Oeste e Jequitinhonha. No período compreendido entre os anos de 2008 a 2018, foram confirmados 199 casos da doença em Minas, com a taxa de letalidade média em torno de 42%.
Assim, a vigilância da doença é realizada em todo o estado de Minas Gerais. Além disso, ocorre também a investigação de áreas novas da doença com a pesquisa vetorial por avaliação dos critérios epidemiológicos avaliados em conjunto com os municípios afetados e a Unidade Regional de Saúde a que estão vinculados, ressaltou a coordenadora.
A doença
A febre maculosa é a riquetsiose mais prevalente e conhecida no Brasil. É uma doença infecciosa febril aguda, causada pela bactéria gram negativa Rickettsia rickettsii e transmitida através da picada de carrapatos infectados, considerados vetores e reservatórios da doença. Os carrapatos do gênero Amblyomma são os que apresentam maior relevância na transmissão de bactérias responsáveis pela infecção. Em Minas Gerais, o carrapato da espécie Ambyomma sculptum é o que apresenta maior relevância no ciclo biológico da doença.
É uma doença sistêmica, de início abrupto e sem sintomas específicos, caracterizada principalmente por febre geralmente alta, dores de cabeça, dores musculares intensas, mal estar generalizado, náuseas e vômitos. Isso dificulta a suspeição da doença. A presença de exantemas máculo-papulares (erupções na pele) pode ocorrer entre o segundo e o sexto dia da doença.
No entanto, é possível que esses sinais na pele não estejam presentes, o que pode dificultar ou retardar o diagnóstico e tratamento da doença. Diante da suspeita clínica da febre maculosa, o tratamento deve ser iniciado imediatamente, devido à gravidade da evolução da doença. O início da investigação deve ser imediato, após a notificação, para que as medidas de prevenção e controle sejam adotadas em tempo oportuno.
Principais cuidados para prevenção
– Uso de roupas de cor clara, vestimentas longas, calçados fechados – preferencialmente com cano longo e utilização de meias brancas – ao frequentar ambientes favoráveis à presença de carrapatos, o que facilitará a visualização dos animais;
– Uso de repelentes à base da substância Icaridina, que são eficazes na prevenção de picadas por carrapatos em indivíduos que frequentam ambientes favoráveis à presença dos mesmos;
– Uso de equipamentos de proteção individual nas atividades ocupacionais de capina e limpeza de pastos;
– Evitar se sentar e deitar em gramados e em áreas de conhecida infestação de carrapatos em atividades de lazer como caminhadas, piqueniques, pescarias, etc;
– Examinar o corpo periodicamente ao frequentar áreas propícias à presença de carrapatos, tendo em vista que quanto mais rápido eles forem retirados do corpo, menor a chance de infecção. Caso sejam verificados carrapatos no corpo, retirá-los com leves torções e com o auxílio de pinça, evitando o contato com unhas e o esmagamento do animal;
– Utilização periódica de carrapaticidas em cães, cavalos e bois, conforme recomendações do profissional médico veterinário;
– Limpeza e capina periódica de lotes não construídos e áreas públicas com cobertura vegetal;
– Manter vidros e portas fechados em veículos de transporte em áreas com risco de infestação de carrapatos.
Fonte: Agência Minas











