
Foto: Reprodução/Secretária de Estado de Saúde
A Corregedoria-Geral do Município de São Gotardo encaminhou ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) uma representação por possível ato de improbidade administrativa contra a atual secretária municipal de Saúde. O documento foi protocolado na 1ª Promotoria de Justiça no dia 23 de março de 2026.
A apuração tem como base documentos oficiais obtidos com exclusividade pelo Paranaíba Agora por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), que apontam indícios de irregularidades no setor de hemodiálise do município.
Entre os principais pontos está uma denúncia coletiva registrada na Ouvidoria Municipal, indicando que pacientes estariam sendo orientados a levar para casa lençóis utilizados durante o tratamento para realizar a lavagem.
De acordo com os registros, há evidências de que esses materiais apresentavam sujidade orgânica, incluindo sangue, o que representa potencial risco biológico, sobretudo por se tratar de pacientes imunossuprimidos. A situação foi classificada internamente como de risco sanitário relevante.
Os documentos mostram que, após a denúncia, foi instaurado procedimento administrativo e o caso encaminhado à Controladoria-Geral do Município. Em seguida, o prefeito emitiu o Memorando Interno nº 266/2025, em 24 de dezembro de 2025, determinando de forma expressa a proibição do fornecimento de lençóis aos pacientes, ainda que a título de cortesia.
Apesar da determinação, uma nova manifestação registrada em janeiro de 2026 apontou a continuidade da prática. Segundo despacho da Ouvidoria, há indícios de descumprimento deliberado da ordem administrativa, além da ausência de recolhimento dos itens anteriormente distribuídos .
Diante dos fatos, foi determinada a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apuração interna. No entanto, como a secretária de Saúde ocupa cargo de natureza política, a responsabilização não poderia ocorrer apenas na esfera administrativa municipal. Por esse motivo, o caso foi encaminhado ao Ministério Público para apuração nas esferas cível e, se for o caso, penal.
A documentação também aponta possível violação a princípios da administração pública, como legalidade, moralidade e proteção à saúde, além de risco direto aos usuários do sistema público.
A reportagem do Paranaíba Agora entrou em contato através do WhatsApp com a secretária municipal de Saúde, com o corregedor-geral do município, Dr. Alderico Kleber, e com a Prefeitura de São Gotardo, solicitando posicionamento oficial sobre o caso. A Secretaria informou que “está levantando as informações e que enviará nota posteriormente.”
O espaço segue aberto para manifestações.
O caso agora está sob análise do Ministério Público, que deverá avaliar a representação e definir os próximos encaminhamentos.












