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Uso de remédios psiquiátricos em Minas aumentou até 75,4% com pandemia

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SUS não oferece todas as opções de antidepressivos. Imagem ilustrativa — Foto: Anna Shvets/Pexels/Reprodução

As projeções da própria Organização Mundial da Saúde (OMS) de que a pandemia de Covid-19 teria impacto sobre a saúde mental de multidões continua a se confirmar em novos levantamentos. Uma pesquisa do braço mineiro da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada na última semana, revela um aumento de 75,4% de disponibilização de medicação psiquiátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Estado.

O levantamento compara o período de dezembro de 2019 a janeiro de 2020, pré-pandemia, a dezembro de 2020 a janeiro de 2021, quando a Covid causava milhares de mortes no Brasil. Os dados demonstram uma elevação de quase 75,4% de dispensa de clonazepan, utilizado no tratamento de ansiedade. Em seguida, está o carbonato de lítio, empregado especialmente contra o transtorno de bipolaridade, com uma alta de 35,3% na distribuição.

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O levantamento também analisa quais foram os medicamentos da categoria mais utilizados no decorrer da pandemia. O resultado aponta prevalência do uso de cloridrato de fluoxetina (para depressão), o diazepam (ansiedade) e fenobarbital sódico (epilepsia).

A professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e consultora do Conselho Federal de Farmácia Walleri Reis avalia que o adoecimento psicológico dos brasileiros é de longa data, anterior à pandemia, mas é reforçado pelas mudanças que a crise sanitária e outros fatores externos impõem à rotina de grande parte da população.

“Estamos vivendo um tempo diferente do que era antigamente. Temos relações de trabalho que, muitas vezes, influenciam no desenvolvimento de transtornos, como as altas taxas de burnout e de transtornos de ansiedade. Mas também também temos o lado de que as pessoas estão se tratando para essas condições”, diz.

Na perspectiva da equipe da Fiocruz por trás da pesquisa, a alta não indica somente deterioração da saúde mental dos mineiros, mas também mudanças na política de disponibilização de algumas drogas pelo SUS. Uma alteração na legislação permitiu, por exemplo, que a quantidade máxima de medicamentos permitidas nas notificações e receitas de controle especial fossem ampliada entre março de 2020 e novembro de 2023. Ela autorizou, ainda, a entrega remota desses medicamentos, até então proibida.

Por outro lado, uma das autoras do levantamento, a farmacêutica Sarah Nascimento Silva, avalia que a rede de atenção psicossocial no país foi fragilizada pela pandemia, quando o isolamento social precarizou o atendimento nos centros de Atenção Psicossocial (Caps).

“Ou seja, em um momento de alta vulnerabilidade da população, observam-se o acesso e a oferta facilitada a esses medicamentos, ao mesmo tempo em que a rede de assistência estava comprometida. Assim, sabendo do alto potencial de dependência e abuso dos psicofármacos, este estudo também chama a atenção para o risco de que tais mudanças, ainda que transitórias, possam alterar comportamentos que vão exigir um trabalho contínuo da Assistência Farmacêutica com foco no uso racional dos medicamentos”, afirma, à Agência Brasil.

Entre os itens do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, que garantem medicação de alto custo para doenças raras, de baixa prevalência ou de uso crônico prolongado, as maiores altas foram do levetiracetam, para epilepsia (alta de 3.000%), e do cloridrato de memantina, utilizado para Alzheimer, cujo consumo subiu 340%.

Estigma persiste, apesar de alta de uso de medicamentos psiquiátricos, diz pesquisadora

A professora Walleri Reis pondera que o estigma sobre transtornos psiquiátricos e os tratamentos contra eles ainda existe, e que, em muitos casos, a busca pela medicação é tratada como última alternativa pelos pacientes, quando suas funções sociais já estão comprometidas. “Ainda existe muito estigma social. A principal questão que esse dado nos traz é que precisamos tratar os transtornos mentais de uma maneira sistematizada”, pontua.

Ela cita que outras doenças altamente predominantes na população brasileira, como diabetes e hipertensão, têm políticas próprias em todos os níveis de atenção. Já a saúde mental carece até de treinamento para as equipes médicas. Ela destaca o papel da orientação dos profissionais da saúde, inclusive farmacêuticos, no estímulo à continuidade do tratamento.

A pesquisadora exemplifica que algumas classes de antidepressivos demoram de quatro a seis semanas para começar a surtir efeito, período delicado para o paciente. “Isso significa que, no início, o paciente não terá o efeito bom do medicamento, só reações adversas. Além dos sintomas que ele já tinha, passa a ter sintomas relacionados ao uso do medicamento, como tremedeira, sudorese, náusea, diarreia piora do quadro de ansiedade, fica mais angustiado. Isso tudo são sintomas transitórios, de início de tratamento com medicamento. Mas, se ninguém orientar, os pacientes abandonam o tratamento precocemente, e isso contribui para quadros mais graves”, alerta.

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Escrito por

Redação Paranaíba Agora

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