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USDA corta produção de carne bovina dos EUA e projeta 2,78 mi/t em importações para 2026

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Paranaíba Agora

O aperto na oferta de carne bovina nos Estados Unidos ganhou um novo capítulo e pode representar uma oportunidade importante para países exportadores, entre eles o Brasil. No relatório WASDE (OFERTA E DEMANDA) de agosto, divulgado nesta última quarta-feira (12), o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu suas estimativas para a produção americana de carne bovina tanto em 2026 quanto em 2027.

Levantamento elaborado por Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, a partir dos números do relatório, mostra que a estimativa para a produção dos Estados Unidos em 2026 caiu para aproximadamente 11,32 milhões de toneladas.
Na prática, são cerca de 145,6 mil toneladas a menos em relação à projeção apresentada pelo USDA em julho.

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Segundo a análise da Terra Investimentos, o USDA atribui os cortes principalmente a um ritmo mais lento de abate e comercialização de bovinos nos Estados Unidos.

É justamente a combinação entre produção menor e necessidade elevada de importações que merece atenção do mercado brasileiro.

O USDA estima que os Estados Unidos deverão importar aproximadamente 2,78 milhões de toneladas de carne bovina.

O volume chama a atenção quando colocado ao lado da própria produção americana: as importações correspondem a aproximadamente um quarto da quantidade de carne que deverá ser produzida dentro dos Estados Unidos neste ano.

De acordo com o levantamento, a expectativa de aumento das compras externas está associada à força da demanda doméstica americana e também à disponibilidade de carne proveniente da Oceania.

Enquanto compra volumes expressivos, o país também permanece como grande exportador. O USDA projeta exportações americanas de aproximadamente 1,06 milhão de toneladas, em 2026, ligeiramente abaixo da estimativa de julho.

Com menor disponibilidade interna, porém, a necessidade de buscar produto no exterior ganha ainda mais importância.

É nesse ponto que os números americanos encontram a pecuária brasileira.
O Brasil possui escala de produção, elevada capacidade exportadora e competitividade suficiente para participar desse déficit de oferta. Em um momento no qual a pecuária americana encontra dificuldades para ampliar rapidamente sua produção, fornecedores internacionais passam a ter papel ainda mais relevante no abastecimento daquele mercado.

"Isso não significa que todo o aumento das importações americanas será automaticamente capturado pelo Brasil", lembra Geraldo Isoldi.

Austrália e Nova Zelândia, especialmente, possuem forte presença no mercado dos Estados Unidos, e o próprio relatório destaca a disponibilidade de produto da Oceania como um dos fatores para o avanço das importações.

Mas o tamanho da necessidade americana ajuda a ampliar as possibilidades comerciais para a carne brasileira.

A questão ganha relevância adicional diante da necessidade do Brasil de diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência da China, hoje principal compradora da proteína brasileira.

Nesse sentido, os Estados Unidos representam não apenas um comprador adicional, mas um mercado de grande consumo e elevado poder aquisitivo.

Boi americano supera o equivalente a R$ 400 por arroba

Outro sinal da oferta ajustada aparece nas projeções para os preços do gado nos Estados Unidos.
O levantamento da Terra Investimentos mostra que o USDA trabalha com preço de US$ 242 por 100 libras (cwt) para os novilhos no terceiro trimestre de 2026 e US$ 245/cwt no quarto trimestre. Para 2027, são projetados US$ 245/cwt no primeiro trimestre e US$ 250/cwt no segundo trimestre.
Convertendo esses valores para a unidade utilizada pelo pecuarista brasileiro, uma arroba de 15 quilos, e tomando como referência uma cotação de aproximadamente R$ 5,16 por dólar, o preço americano corresponde a cerca de R$ 413/@ no terceiro trimestre de 2026, R$ 418/@ no quarto trimestre, permanece próximo de R$ 418/@ no primeiro semestre de 2027 e alcança aproximadamente R$ 427/@ no segundo semestre do próximo ano.

A conversão não significa que os preços possam ser comparados diretamente, já que os mercados possuem especificações de animais, sistemas produtivos, custos e formas de comercialização diferentes.  É importante notar que o preço do USDA referenciado (5-Area Direct) é cotado em base de peso vivo do animal, enquanto a arroba brasileira é uma medida de peso de carcaça. Isso significa que a conversão apresentada subestima o valor comparável em base de carcaça — historicamente, o rendimento de carcaça gira em torno de 63-65% nos EUA, o que tornaria o 'equivalente-carcaça' americano ainda mais elevado que os valores convertidos aqui.

Ainda assim, o exercício ajuda a dimensionar a valorização do gado americano e, principalmente, a vantagem competitiva da carne produzida no Brasil.

Mesmo após o USDA revisar para baixo algumas projeções de preços diante de uma demanda por gado terminado mais fraca que a esperada, os valores continuam sinalizando uma pecuária americana trabalhando em patamares elevados.

Para o Brasil, essa diferença ajuda a explicar por que os Estados Unidos podem continuar buscando proteína no mercado externo mesmo sendo um dos maiores produtores mundiais de carne bovina.

O relatório de agosto trouxe ainda outra novidade para a oferta americana.
O USDA confirmou a retomada das importações de gado vivo do México a partir de 24 de agosto, inicialmente exclusivamente pelo porto de entrada de Douglas, no Arizona. Os demais pontos de ingresso permanecem fechados, sem cronograma oficial para reabertura.

A entrada dos animais mexicanos pode contribuir para aumentar a disponibilidade de gado nos Estados Unidos, mas, diante do tamanho dos cortes realizados nas projeções de produção, não elimina a necessidade americana de recorrer ao mercado internacional de carne.

Uma oportunidade direta e outra indireta para o Brasil

Os números do WASDE de agosto desenham, portanto, uma combinação particularmente interessante para a pecuária brasileira: produção americana menor, gado valendo o equivalente a mais de R$ 400 por arroba e importações próximas de 2,8 milhões de toneladas.
Como mostra o levantamento de Geraldo Isoldi, da Terra Investimentos, o USDA agora trabalha com um ritmo mais lento de abate nos Estados Unidos em 2026 e 2027, indicação de que as limitações da oferta americana não devem desaparecer rapidamente.

Para o Brasil, a oportunidade não se restringe ao aumento direto das vendas aos Estados Unidos. Uma maior presença americana comprando carne no mercado mundial aumenta a disputa internacional pela proteína e pode alterar os fluxos comerciais entre os principais exportadores.

Se Austrália e Nova Zelândia direcionarem uma parcela maior de sua produção aos Estados Unidos, por exemplo, outros mercados tradicionalmente abastecidos por esses países podem abrir espaço adicional para o produto brasileiro.

Assim, o impacto potencial ocorre em duas frentes: pela possibilidade de ampliar diretamente os negócios com os Estados Unidos e pela redistribuição dos fluxos globais de carne bovina provocada pela necessidade americana de importação.

Em um mercado no qual poucos países possuem capacidade de aumentar significativamente a oferta exportável, a redução da produção da maior economia do mundo transforma-se em um dado estratégico para a pecuária brasileira.

Fonte: Notícias Agrícolas

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