O reconhecimento do Movimento Consciência Negra de Rio Paranaíba como entidade de utilidade pública municipal é considerado pela organização um marco na trajetória iniciada em 1999. A aprovação do Projeto de Lei nº 044/2026 pela Câmara Municipal, por oito votos favoráveis, formalizou a relevância de um trabalho desenvolvido há mais de duas décadas no município.
Em entrevista ao Paranaíba Agora, o coordenador do Movimento, Gabriel Rocha, destacou que a conquista representa, principalmente, o reconhecimento da história construída por diversas pessoas ao longo dos anos.
Segundo Gabriel, o Movimento surgiu com o propósito de valorizar a população negra, preservar a cultura, as tradições e a memória afro-brasileira de Rio Paranaíba. Para ele, o reconhecimento também fortalece institucionalmente a entidade e pode facilitar novas parcerias e ampliar o diálogo com o poder público e outras instituições.
Ao longo de sua trajetória, o Movimento desenvolveu atividades nas escolas, a Semana da Consciência Negra, o Coral da Consciência Negra, caminhadas públicas e outras ações culturais e educativas. Um dos trabalhos destacados pelo coordenador é a valorização da história da comunidade do Alto do Querosene, que possui relação com a história da população negra do município.
Gabriel também chama atenção para a importância de preservar as histórias transmitidas principalmente pela oralidade. Para ele, valorizar a cultura significa também reconhecer as pessoas mais velhas que carregam conhecimentos e experiências que ajudam a manter essas tradições vivas.
Nas escolas, o objetivo é aproximar crianças e jovens da história do próprio município. O Movimento entende que essas ações contribuem para fortalecer o respeito, a identidade e a valorização da cultura afro-brasileira, além de promover uma troca entre diferentes gerações.
Entre os desafios atuais, Gabriel cita o preconceito, o racismo, a falta de conhecimento sobre a história da população negra e a pouca visibilidade de parte dessas trajetórias. Nesse cenário, o Movimento pretende ampliar o registro dessas memórias e manter o diálogo com escolas, poder público e sociedade.
Novos projetos
Com o reconhecimento, a entidade pretende estruturar novas ações e buscar parcerias. Uma das possibilidades apontadas pelo coordenador é a construção de uma parceria com a Prefeitura para desenvolver um plano de trabalho voltado à cultura afro-brasileira, preservação da memória e ações educativas e culturais.
A proposta poderá envolver instrumentos como termos de fomento ou colaboração, observando a legislação e os procedimentos necessários. Gabriel ressalta, porém, que o reconhecimento como entidade de utilidade pública não garante, por si só, o recebimento de recursos.
Para o coordenador, o principal objetivo é transformar as propostas em ações estruturadas e alcançar cada vez mais pessoas.
“Preservar a cultura afro-brasileira é preservar uma parte importante da própria história de Rio Paranaíba”, resume Gabriel ao falar sobre a mensagem que o Movimento pretende deixar para as próximas gerações.








