A Justiça determinou, em caráter de urgência, a transferência de uma jovem de Carmo do Paranaíba para Belo Horizonte após uma extensa investigação médica não identificar a causa do quadro de saúde apresentado por ela. Apesar da decisão, a transferência de Mirele Morais ainda não foi efetivada, e a família segue aguardando a disponibilização de uma vaga.
Mirele começou a apresentar inchaço persistente em março de 2025, após passar por uma cirurgia odontológica. O rosto permaneceu inchado e, posteriormente, ela desenvolveu edema nas pernas e ascite, que é o acúmulo de líquido no abdômen.
Em fevereiro de 2026, exames apontaram alteração importante no marcador CA-125. Ela foi internada e posteriormente transferida para Patrocínio, onde passou por investigação com diferentes especialistas. Na sequência, foi encaminhada ao Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), onde realizou diversos exames, incluindo ressonâncias, tomografias e biópsias.
Durante a investigação, Mirele precisou passar por cirurgia no tórax para retirada de material para biópsia e drenagem de líquido, após apresentar derrame pleural e pericárdico. Também foram identificadas alterações nos ovários, levando à realização de cirurgias abdominais com retirada dos ovários.
Apesar da extensa investigação, as biópsias não identificaram câncer. Mesmo assim, os sintomas persistiram, incluindo o inchaço nas pernas e a ascite.
Investigação esgotada
Em documento médico emitido pelo Hospital de Clínicas da UFU em 28 de agosto de 2026, a equipe informou que a paciente foi amplamente investigada, com biópsias de pleura, pericárdio, peritônio, omento, fígado e medula, além de diversos outros exames.
Segundo o documento, não foi encontrada alteração que justificasse o quadro clínico. Diante disso, a equipe solicitou com urgência a transferência para um serviço terciário, destacando que haviam sido “esgotados os recursos de investigação nesse serviço”.
Ainda conforme o documento, houve tentativa de transferência para o HU-Brasil/UFMG, mas o pedido não foi aceito.
Ministério Público acionou a Justiça
Diante da situação, o Ministério Público de Carmo do Paranaíba ajuizou, na quinta-feira (3), uma ação para garantir a transferência da paciente para Belo Horizonte.
Na sexta-feira (4), a Justiça deferiu a tutela de urgência e determinou que o Estado de Minas Gerais e o Município de Carmo do Paranaíba providenciassem, no prazo improrrogável de 24 horas, vaga, transporte seguro e internação no Hospital das Clínicas da UFMG ou, comprovada a impossibilidade técnica, em outra unidade hospitalar terciária adequada.
A decisão também determinou a garantia de exames especializados, procedimentos médicos e medicamentos necessários ao tratamento.
Até o momento, porém, a transferência ainda não foi efetivada, apesar da determinação judicial. A família segue aguardando uma solução para que Mirele possa dar continuidade à investigação e ao tratamento em uma unidade especializada.









