Mãe presencia luta do filho com invasor, pega faca e homem acaba morto em Tiros Café tenta estabilizar após forte queda da semana, mas oferta brasileira mantém pressão sobre NY China derruba embarques de carne bovina em agosto, mas outros mercados compram volume recorde do Brasil Ameaças contra esposa, filha e bebê levam à apreensão de quatro armas e centenas de munições em Rio Paranaíba Trump deve assinar decreto relacionado à carne bovina nesta sexta-feira, dizem fontes Trump deve assinar decreto relacionado à carne bovina nesta sexta-feira, dizem fontes Homem é amarrado em pé de café durante roubo de caminhonete na zona rural de Rio Paranaíba Preços mundiais dos alimentos atingem maior nível desde 2022, em meio a riscos de oferta, diz FAO
Sicoob

Café tenta estabilizar após forte queda da semana, mas oferta brasileira mantém pressão sobre NY

LATICINIO
prefeitura
seucarro

Paranaíba Agora

O mercado futuro do café encerrou a sexta-feira (4) buscando estabilização após uma semana de forte pressão sobre os preços. Em Nova York, o contrato dezembro do arábica voltou a operar acima das mínimas da sessão anterior e fechou com 295,60 centavos de dólar por libra-peso com uma leve alta de 25 pontos, enquanto o março já subiu 235 pontos e terminou o dia com 287,40 cents/lb. 

O movimento desta sexta-feira, entretanto, não foi suficiente para alterar de forma significativa o cenário baixista que vem predominando no mercado. A perspectiva de maior disponibilidade de café brasileiro continua pesando sobre as cotações, enquanto o mercado passa a incorporar de maneira mais efetiva os volumes da safra 2026/27.

estacao
psi

A leitura está alinhada à análise feita por Haroldo Bonfá, diretor da Pharos Consultoria, em entrevista ao Notícias Agrícolas, durante o Bom Dia Agronegócio desta sexta. Para o especialista, a pressão que aparece agora nos preços veio com certo atraso, justamente porque a safra brasileira, apesar de apresentar sinais de grande volume, demorou a chegar aos portos e aos embarques.

Segundo Bonfá, com a colheita praticamente encerrada — restando apenas uma parcela pequena do arábica — os armazéns brasileiros começam a sentir os efeitos da concentração da oferta. Há unidades que já estão limitando ou interrompendo o recebimento de novas cargas diante da falta de espaço. Na avaliação do consultor, esse movimento é um indicativo importante de que, em volume, a safra brasileira foi boa ou muito boa.

O ponto central para Bonfá é que o mercado agora precisa absorver esse café. Produtores precisam comercializar parte da produção, enquanto indústria, exportadores e importadores precisam cumprir contratos e manter o fluxo de abastecimento.

Esse processo tende a manter os preços pressionados, principalmente porque a curva futura já vinha sinalizando valores inferiores aos praticados no mercado físico. Para o consultor, o movimento atual representa justamente a materialização de uma expectativa que já estava embutida nos preços há algum tempo: uma safra brasileira maior significaria mais oferta e, consequentemente, maior necessidade de escoamento.

Ao mesmo tempo, Bonfá pondera que volume não significa necessariamente perda generalizada de valor. A qualidade continua sendo um diferencial importante. Cafés com bebidas melhores, grãos diferenciados, fermentados e certificados seguem encontrando remuneração superior e, segundo o especialista, apresentam uma queda proporcionalmente menor de preços.

Apesar da pressão provocada pela oferta brasileira, o mercado internacional ainda encontra suporte em estoques certificados bastante baixos. O portal internacional Barchart destaca que os estoques de arábica monitorados pela ICE chegaram a níveis historicamente apertados, funcionando como um fator de sustentação para as cotações.

Esse é um dos elementos que ajudam a explicar por que o mercado não simplesmente aprofundou as perdas nesta sexta-feira. Depois da forte correção dos últimos dias, os preços encontraram algum suporte e passaram a consolidar as perdas.

Ainda assim, a combinação entre a entrada da safra brasileira e uma perspectiva de oferta global mais confortável continua sendo o principal contraponto aos estoques reduzidos. O USDA projeta produção mundial de café em 189,7 milhões de sacas em 2026/27, alta de 6% em relação à temporada anterior, enquanto a produção brasileira é estimada em níveis recordes.

Diante desse cenário, a recomendação implícita na análise de Bonfá é de atenção à gestão da comercialização. O produtor que ainda possui café não necessariamente precisa interpretar a queda das bolsas como uma indicação de que perdeu todas as oportunidades, mas deve avaliar individualmente custos, qualidade, volume disponível e necessidade de caixa.

O consultor chama atenção para a importância de escalonar as vendas e utilizar instrumentos de proteção de preços, principalmente em um mercado no qual a curva futura permanece negativa. Segundo ele, o produtor brasileiro está cada vez mais preparado tecnicamente para administrar essas ferramentas.

Outro ponto de atenção é a nova florada brasileira. Algumas regiões já começam a apresentar os primeiros sinais, mas o resultado efetivo do pegamento das flores só deverá ficar mais claro nos próximos meses. Esse será um componente importante para definir as expectativas sobre a próxima safra e, consequentemente, sobre os preços.

Além dos fundamentos de oferta e demanda, a logística aparece como outro elemento importante para o mercado. Bonfá chama atenção para problemas envolvendo disponibilidade de contêineres e espaço em navios, justamente em um momento em que o Brasil poderá precisar aumentar significativamente suas exportações.

O consultor cita estimativas de exportação brasileiras próximas de 49 milhões de sacas, contra cerca de 38 milhões no ano anterior. Isso representaria um acréscimo de aproximadamente 11 milhões de sacas a serem movimentadas, ampliando o desafio logístico.

Ao mesmo tempo, problemas logísticos em outras origens podem abrir oportunidades para o café brasileiro. Com dificuldades de transporte em algumas rotas internacionais, o Brasil pode ganhar competitividade caso tenha café disponível, preços adequados e capacidade de embarque.

Assim, embora o fechamento desta sexta-feira mostre uma tentativa de estabilização após a forte queda da semana, o mercado ainda está diante de um cenário de ajuste à maior disponibilidade brasileira.

Para Bonfá, o produtor precisa olhar além da cotação da bolsa e considerar qualidade, logística, câmbio, momento de venda e oportunidades nos diferentes mercados. Mesmo com preços mais contidos, o Brasil permanece em posição estratégica como principal fornecedor mundial e pode se beneficiar justamente de sua capacidade de entregar diferentes padrões e qualidades de café.

O momento, portanto, é de pressão sobre os preços, mas também de necessidade de gestão. Com a safra chegando aos armazéns, a comercialização ganhando ritmo e a próxima florada começando a aparecer, o mercado passa a olhar cada vez mais para a capacidade de absorção dessa oferta e para os sinais que serão dados pela próxima safra brasileira.

Com a estabilidade das cotações em Nova York, nesta sexta-feira (4), os preços do café no mercado brasileiro também registraram estabilidade. As cotações do cereja descascado quase não registraram oscilações. Ainda assim, em Guaxupé/MG, enquanto as demais praças não tiveram variação, o preço subiu 2,04% para R$ 1749,00 por saca. No tipo 6 bebida dura, os indicativos variaram de R$ 1610,00 a R$ 1700,00 por saca. 

Fonte: Notícias Agrícolas

COMPARTILHAR:

Goldnet
Escrito por