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Geopolítica supera fundamentos e dita o ritmo da soja em Chicago com foco em Trump e Xi Jinping

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O mercado internacional da soja vem operando sob forte influência do tabuleiro geopolítico global, relegando os fundamentos tradicionais de oferta e demanda a um papel secundário no direcionamento dos preços em Chicago. A constatação foi detalhada pelo estrategista sênior de agricultura da Marex e analista de mercado da Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio desta terça-feira. 

O especialista explica que os movimentos recentes na Bolsa de Chicago — incluindo a volatilidade observada após o relatório de oferta e demanda do USDA — refletem muito mais as movimentações diplomáticas do que os fundamentos de oferta e demanda, ao menos neste momento, destacando as especulações em torno de um possível encontro entre Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, ressaltando que períodos anteriores a encontros dessa magnitude são historicamente marcados por uma escalada forte de pressões bilaterais.

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"A pressão vem antes da reunião porque faz parte da estratégia de colocar as cartas e as peças na mesa para ver quem tem a carta maior", afirmou Vanin. Ele lembrou que dinâmicas semelhantes ocorreram no passado, envolvendo embargos a terras raras ou restrições a semicondutores, mas pontuou que atualmente o valor em jogo nessa "mesa de negociação" é consideravelmente mais elevado.

O canal de liquidez de Pequim e o nó com o Irã

Na visão do analista, a grande peça central da diplomacia de Washington no momento envolve a contenção dos conflitos no Oriente Médio, com foco direto no Irã e na segurança do Estreito de Ormuz. Nesse xadrez, a China desponta como agente indispensável por ser a principal garantidora de canais alternativos de liquidez para Teerã, por meio de bancos chineses, transações com criptomoedas e comércio bilateral de petróleo.

Vanin destacou que a Casa Branca precisa da intervenção e do peso diplomático de Pequim para pressionar os líderes iranianos a buscarem um acordo. Em contrapartida, as exigências chinesas passam por temas sensíveis de sua soberania, como a suspensão ou redução na venda de armamentos norte-americanos a Taiwan antes de qualquer cúpula formal.

Pacote comercial e o dilema das tarifas para a soja

Dentro dessa complexa engrenagem geopolítica, o agronegócio entra como parte de uma possível troca comercial. O estrategista comentou as hipóteses em discussão no mercado sobre a montagem de um pacote bilateral de cerca de US$ 30 bilhões focado na redução recíproca de tarifas, contemplando energia (petróleo e gás) e produtos agrícolas, especialmente a soja norte-americana.

Embora o analista estime em mais de 70% a probabilidade de um eventual alívio tarifário caso haja avanço diplomático, ele deixou um alerta de reflexão para os produtores e operadores do mercado: a retirada das sobretaxas de importação sobre a soja dos Estados Unidos traria um impacto altista ou baixista para Chicago? A resposta depende de como o fluxo da demanda chinesa se redistribuirá entre a origem norte-americana e a safra da América do Sul.

A ausência de liderança global e o reflexo nos mercados

Ao comparar os atritos do Oriente Médio com a guerra prolongada entre Rússia e Ucrânia, Vanin ressaltou que as sanções econômicas ocidentais perderam eficácia diante do rearranjo do comércio internacional para a Ásia. Segundo o especialista, o vácuo de poder deixado pela política externa dos Estados Unidos abriu espaço para que a China consolidasse sua presença como mediadora e parceira econômica indispensável.

Para o agronegócio brasileiro e internacional, o cenário reforça a necessidade de acompanhar os desdobramentos políticos com tanta atenção quanto as projeções climáticas e relatórios de safra, uma vez que decisões tomadas entre Washington e Pequim continuam sendo o principal vetor de risco e precificação das commodities agrícolas.

Fonte: Notícias Agrícolas

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