
Predomínio de tempo seco e firme favoreceu as operações no campo, proporcionando continuidade e mais agilidade aos trabalhos
A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro evoluiu para 81% até o dia 14 de agosto, conforme boletim técnico semanal da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer).
Do total, cerca de 63% da produção já passou pelo processo de beneficiamento, com o rendimento médio observado em torno de 500 litros de café em coco para cada saca de 60 kg beneficiada.
A colheita avançou bem na semana passada devido ao predomínio de tempo seco e firme, que proporcionou a continuidade das operações de campo com mais agilidade.
Em relação à qualidade, observou-se novo aumento no percentual de café de catação, comportamento que está relacionado ao avanço da colheita de chão. O percentual médio desse tipo de café, agora, é levemente superior a 20% do total.
Com a colheita se aproximando das etapas finais em algumas áreas, é importante, segundo os técnicos da Expocacer, priorizar a retirada dos frutos ainda presentes nas plantas e intensificar o recolhimento dos cafés de chão.
Eles informam que a realização dessas operações em tempo hábil se torna ainda mais relevante diante da possibilidade de retorno das chuvas, já que o aumento da umidade pode dificultar os trabalhos no campo e comprometer a qualidade do produto.
Os técnicos da cooperativa completam que também é necessário realizar os manejos previstos para o período pós-colheita no momento adequado, favorecendo a recuperação das plantas e sua preparação para o próximo ciclo produtivo.
Outro ponto que merece atenção neste período, conforme eles, é o monitoramento de pragas, pois a continuidade de tempo seco e temperaturas mais elevadas pode favorecer o desenvolvimento e o aumento das populações no campo.
Eles recomendam atenção especial ao bicho-mineiro e ao ácaro-vermelho, com acompanhamento frequente das lavouras para a identificação precoce de possíveis focos e a definição do manejo mais adequado para cada situação.
Nas áreas irrigadas, o manejo da irrigação também requer atenção especial, principalmente diante da baixa disponibilidade hídrica e das temperaturas mais elevadas.
De acordo com os técnicos da Expocacer, é fundamental acompanhar, ainda, a umidade do solo e a demanda hídrica das plantas, ajustando as lâminas e os turnos de rega às condições de cada área, contribuindo para o uso mais eficiente da água, para a manutenção das condições das lavouras e para uma melhor preparação das plantas ao próximo ciclo produtivo.
CONDIÇÕES CLIMÁTICAS
Na semana passada, as condições meteorológicas na região de Patrocínio foram caracterizadas pela persistência do tempo firme e baixa ocorrência de precipitações. Entre os municípios acompanhados, apenas Uberaba registrou chuva, com acumulado de 0,3 milímetros.
Até o dia 20 de agosto, a tendência é de continuidade do tempo seco, sem indicação de chuva para os municípios monitorados, e as temperaturas máximas devem oscilar entre 28°C e 30°C, enquanto as mínimas apresentam tendência de queda gradual ao longo dos próximos dias, variando entre 8°C e 15°C.
Os técnicos da Expocacer informam que esse padrão de tempo firme proporciona condições favoráveis para a conclusão da colheita e para o processo de secagem dos cafés, permitindo maior continuidade das atividades em campo e nos terreiros.
Com o avanço da colheita, o momento também é oportuno para priorizar a retirada dos frutos remanescentes nas plantas e o recolhimento do café de chão, aproveitando a janela de tempo seco.
Paralelamente, eles pontuam que o planejamento das práticas de manejo pós-colheita deve ganhar espaço na rotina das propriedades, buscando realizar cada intervenção no período adequado e contribuir para a recuperação das lavouras e o desenvolvimento do próximo ciclo produtivo.
Em contrapartida, eles concluem que o prolongamento do período sem chuvas pode intensificar a perda de umidade do solo, aspecto que deve ser observado principalmente nas áreas mais suscetíveis ao déficit hídrico.
SOBRE A EXPOCACER
Com faturamento aproximado de R$ 3 bilhões em 2025 e um quadro com mais de 800 produtores associados, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado projeta uma produção de 2,8 milhões de sacas de café arábica em sua região de abrangência em 2026.
Contando atualmente com 19,4 mil hectares de café certificados em cafeicultura regenerativa e 29 mil hectares conduzidos sob manejo regenerativo, a Expocacer se tornou a primeira cooperativa do mundo a conquistar a certificação em Agricultura Regenerativa da Regenagri®, concedida pela Control Union após auditoria independente.
A entidade também passou por recentes auditorias e validou seus processos e propriedades cooperadas junto à Rainforest Alliance. O avanço inclui a adequação aos padrões Sustainable Agriculture Standard (SAS) e Regenerative Agriculture Standard (RAS) da organização internacional, ampliando o alinhamento de sua cadeia produtiva às mais rigorosas exigências socioambientais do mercado global.
A Expocacer é, ainda, uma das seis cooperativas que compõem a governança da Região do Cerrado Mineiro, primeira Denominação de Origem para café no Brasil. Trata-se de uma Indicação Geográfica (IG) que abrange 55 municípios e conta com a participação direta de mais de 4.500 produtores, distribuídos em 250 mil hectares de área plantada, território demarcado para a produção de um café com características únicas, que não podem ser encontradas em nenhum outro lugar.
Fonte: Notícias Expocaccer









