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Um ano após 1º caso, mutações do coronavírus colocam vacinação em risco

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Vacinação dos profissionais de saúde, veterinários e agentes funerários com 60 anos ou mais de idade, que estam na ativa, na Clínica da Família Estácio de Sá, na região central da cidade. O município do Rio de Janeiro ampliou hoje (27) o público-alvo da campanha de vacinação contra a covid-19.

Na próxima sexta-feira (26/2), o Brasil completa um ano desde seu primeiro caso confirmado de COVID-19: um empresário de 61 anos, que contraiu a doença em viagem à Itália, único epicentro da doença fora da China àquela época. Desde então, o país, que só foi atingido pelo vírus depois da Ásia e da Europa, se tornou ponto central da doença na América Latina. E protagonista no mundo, atrás apenas dos EUA em mortes.

Diante do início da vacinação, ainda que de maneira lenta, qual o futuro do Brasil no combate à crise? O que devemos fazer para não repetir os erros do passado?

Primeiro, é preciso saber onde foi que o poder público errou em sua gestão. Para a epidemiologista Ethel Maciel, doutora na área e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Brasil tropeçou em dois fatores, sobretudo: a demora no fechamento das fronteiras, que só aconteceu após a constatação de transmissão comunitária; e a negação do governo federal, na figura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), da gravidade da crise.

“A gente já tinha perdido o controle da pandemia quando fechamos a fronteira. Então, não teve efetividade. Depois, não tivemos, e permanecemos sem ter, instruções claras por parte do governo federal. A gente teve o ministro da saúde dizendo uma coisa e o presidente o desmentindo”, explica Ethel.

O que vai acontecer nos próximos meses, para a professora da Ufes, depende da capacidade que o Brasil e o mundo terão de frear a transmissão acelerada do coronavírus. É a partir do contágio exponencial que o microrganismo patogênico pode sofrer mutações. E isso pode até mesmo anular a eficácia das vacinas aplicadas atualmente.

“O vírus sobrevive fazendo cópias dele mesmo. Quando isso ocorre, ele pode ‘errar’ e fazer mutações, que é natural desse tipo de vírus. O problema é o vírus fazer mudanças que dê a ele vantagens sobre nós”, diz a especialista. De acordo com ela, foi o que aconteceu com os subtipos surgidos na África do Sul, no Reino Unido e em Manaus, que são muito mais transmissíveis que os outros.

“A gente acompanhou, inclusive, que a África do Sul suspendeu a vacinação com a AstraZeneca (Oxford) por conta da diminuição da eficácia devido a essa mutação. Então, é algo muito preocupante”, afirma Ethel.

Na prática, quanto mais demorarmos para frear a transmissão do vírus, por meio da imunização e das medidas de controle sanitário (uso da máscara e distanciamento social), mais chance o coronavírus tem de se alterar e “vencer” a batalha contra as vacinas.

Nesse sentido, a doutora da Ufes alerta para a necessidade de um plano nacional de imunização eficiente. “Se a gente conseguir vacinar, até julho, pelo menos esse grupo prioritário de 78 milhões de pessoas, acho que a gente pode terminar o ano melhor. Mas, se a campanha se arrastar, a pandemia vai se prolongar. Talvez, tenhamos que tomar outras doses da vacina”, diz.

Discordância

Ethel chegou a participar do início dos estudos do governo federal para definir o público prioritário, mas deixou a mesa de discussões depois que a gestão Jair Bolsonaro (sem partido) excluiu a população carcerária desse grupo.

O principal ponto de discordância da especialista quanto à estratégia do governo passa pela obrigatoriedade da imunização. Apesar do presidente ser publicamente contra isso, Ethel Maciel defende que a proteção contra o vírus é um ato coletivo: a maioria da população precisa estar protegida para frear a proliferação.

“A vacina é uma estratégia coletiva, diferente daquele medicamento que você toma para combater a sua doença. É algo que a gente toma para prevenir a circulação do vírus de maneira acelerada. Sua liberdade termina quando o outro passa a ser prejudicado”, afirma.

Outro ponto abordado por ela é o critério geográfico. Ela defende que a Região Norte do país seja imunizada primeiramente. “A gente precisa vacinar ali mais rapidamente. Os pesquisadores já perceberam que o surgimento de variantes e a aceleração do vírus é maior ali. Não sabemos se por causa do clima ou por outro fator”, defende.




E as escolas?

Logo após a confirmação do primeiro caso em fevereiro de 2020, não demorou muito para que as escolas fechassem suas portas para o ensino presencial. Em BH, a interrupção aconteceu menos de um mês depois, em 18 de março. Diante disso, quais alternativas o poder público deve tomar para que a educação, sobretudo a pública, retome suas atividades o quanto antes?

Para Ethel Maciel, a escola é uma extensão da sociedade. Portanto, elas só devem ser abertas quando a pandemia for controlada, o que ainda está longe de acontecer.

Outra alternativa, porém mais complexa, seria imunizar os estudantes, os profissionais de educação e os idosos que convivem com essas pessoas para evitar um aumento vertiginoso dos casos.

Novos cuidados

A nova variante de Manaus requer mais cuidados por parte da população com a COVID-19. Como ela é muito mais transmissível, o ideal é que cada cidadão compre uma máscara N95, exatamente aquelas usadas pelos profissionais de saúde. De acordo com a doutora da Ufes Ethel Maciel, esse item protege contra a maior parte das partículas de vírus e bactérias.

Por outro lado, os custos desse tipo de equipamento de proteção individual são mais elevados que os das máscaras de tecido. Ainda assim, uma alternativa pode ser adotada: estudos científicos comprovam que o uso de duas proteções de tecido simultaneamente já protege bem mais.

“Estudo agora do CDC americano (Centers for Disease Control and Prevention, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) também diz o seguinte: se você usar duas máscaras, você aumenta o poder de filtragem em 90%”, explica a epidemiologista.

LINHA DO TEMPO

  • 26 de fevereiro de 2020 – Ministério da Saúde registra primeiro caso de COVID-19 no Brasil. Empresário de 61 anos contraiu a doença em viagem à Itália, único epicentro fora da China até aquele momento.
  • Março de 2020 – Minas também entra na rota da doença, no dia 8. Três dias depois, 11, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a crise de saúde é uma pandemia. No dia seguinte, o Brasil registra a primeira morte de COVID-19. Tratava-se de uma mulher de 57 anos, moradora de São Paulo. Já no dia 24, em pronunciamento na TV, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chama a COVID-19 de “gripezinha” e “resfriadinho”.
  • Abril de 2020 – Um dia depois do Congresso aprovar Projeto de Lei, Bolsonaro sanciona auxílio-emergencial de R$ 600 no primeiro dia do mês. O Fundo Monetário Internacional alerta que a economia global terá seu pior ano desde a Grande Depressão de 1929. Luiz Henrique Mandetta é demitido do Ministério da Saúde. Nelson Teich o substitui.
  • Maio de 2020 – Brasil ultrapassa a China em número de mortos. Menos de um mês no cargo, Teich pede demissão do Ministério da Saúde no dia 15, e o general Eduardo Pazuello assume a pasta. Uma semana depois, o Brasil ultrapassa a Rússia e passa a ser o segundo país com mais doentes. Estudo da revista “Journal of the American Medical Association” não encontra evidências de que a cloroquina reduz mortalidade. EUA restringe a entrada de turistas brasileiros.
  • Junho de 2020 – No dia 5, o Brasil recebe primeiro lote de vacinas da Universidade de Oxford para iniciar testes. União recebe críticas por falta de transparência, após retirar do ar painel que informa dados sobre a pandemia e alterar metodologia. Em três dias, país registra 100 mil novos casos, entre 9 e 11. No dia 19, chega a 1 milhão. Ainda em junho, Brasil se torna o vice-líder no consolidado de óbitos, ultrapassando o Reino Unido. Governo anuncia parceria com a AstraZeneca.
  • Julho de 2020 – País ultrapassa 2 milhões de casos confirmados. Bolsonaro é infectado e se recupera sem sustos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que 1% da população brasileira foi infectada pelo novo coronavírus. Uma em cada três mortes pela doença até aquele momento aconteceram em julho.
  • Agosto de 2020 – Instituto Butantan planeja submeter vacina à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em outubro. Em 11 de agosto, Rússia anuncia registro do imunizante Sputnik 5, o primeiro do mundo, mas especialistas questionam falta de testes.
  • Setembro de 2020 – Mundo registra 1 milhão de mortes pela doença. Em discurso na ONU, Bolsonaro elogia sua gestão na pandemia e ataca imprensa por “disseminar” o pânico. No mesmo mês, Brasil chega a 4,5 milhões de casos.
  • Outubro de 2020 – Segunda onda atinge em cheio a Europa, e países começam a restringir circulação de pessoas e atividades comerciais. Brasil supera 150 mil mortes por COVID-19. Donald Trump se infecta e se recupera sem sustos.
  • Novembro de 2020 – Farmacêutica Moderna, sediada nos EUA, anuncia vacina com eficácia de 94,5%. No mesmo mês, União Europeia acorda com a Pfizer e a BioNTech para compra de doses para seus 27 países. Eleições municipais são realizadas no Brasil, enquanto estudo do Imperial College de Londres atesta que o país tem sua maior taxa de transmissão desde maio.
  • Dezembro de 2020 – Reino Unido e EUA começam a vacinar sua população. Governo federal divulga plano de imunização. Pesquisadores que assinam o estudo afirmam que não participaram a fundo das discussões. Cresce preocupação de aumento de transmissibilidade com período de festas.
  • Janeiro de 2021 – Brasil computa seu pior mês em termos de casos de COVID-19: um diagnóstico a cada dois segundos, em média. Em Minas, a cada 14 minutos, uma pessoa perdeu a vida para a virose. Instituto Lowy, em Sydney, na Austrália, dá ao Brasil o título de pior gestão da pandemia. Nova Zelândia ganha como melhor.

Fonte: Estado de Minas



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