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Política

Semana decisiva para Temer, que está nas mãos dos deputados

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Plenário da Câmara dos Deputados, onde Palácio do Planalto garante já ter conseguido os votos de 260 deputados favoráveis ao presidente (foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo – 21/5/15)

Com roteiro incerto e movimentação intensa nos bastidores, a Câmara dos Deputados vai decidir quarta-feira se o presidente Michel Temer (PMDB) deve ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelo crime de corrupção passiva.

O Palácio do Planalto – que afirma ter uma margem confortável para barrar a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) – teve agenda movimentada no fim de semana, com reuniões entre ministros e lideranças da base aliada no Congresso. Já a oposição começa hoje a discutir uma estratégia para a sessão que decidirá o futuro de Temer.

Integrantes do governo federal afirmam que as estimativas sobre o placar da votação são favoráveis a Temer, com apoio de mais de 270 deputados para arquivar a denúncia. Margem que supera com folga o número mínimo necessário, de 172 votos, no plenário.

Nas últimas duas semanas, o presidente e a sua equipe de ministros intensificaram o contato com os parlamentares e o governo lançou mão de um “pacote de bondades”, liberando emendas parlamentares e cargos no governo federal para aliados. Nesse período, Temer recebeu 160 deputados e senadores, segundo a agenda oficial, e liberou R$ 4,1 bilhões em emendas parlamentares.

A falta de protestos significativos contra o governo é apontada por interlocutores do Planalto como indício de que as ruas não querem a saída de Temer.


O argumento de que os procuradores do Ministério Público Federal (MPF) têm criado uma caçada contra a classe política também está sendo usado pelo presidente para conseguir apoio em um Parlamento que tem mais da metade de seus integrantes investigada por recebimento de caixa 2 em campanhas ou crimes de corrupção.

“O argumento de que as investigações vão atingir os deputados vem sendo usado de forma descarada pelo Planalto. Muitos parlamentares são investigados e acham que, salvando a pele do Temer, podem de alguma forma conseguir salvar a própria pele”, diz o deputado Júlio Delgado (PSB), que já declarou seu voto a favor da abertura de investigação contra o presidente no Supremo.

O clima de confiança demonstrado pelo Planalto nos dias que antecedem a votação é contestado por deputados da oposição.

“Eles cantam vitória, mas existe um sentimento claro de intranquilidade para quarta-feira. Será que se a situação estivesse tão favorável Temer precisaria exonerar seus ministros para conseguir votos?”, questiona Delgado.

Depois de jantar com ministros na noite de sexta-feira, aliados do governo admitiram que 12 ministros que são deputados serão exonerados nesta semana para reassumir suas cadeiras e votar a favor de Temer na quarta-feira.

Depois, retomam seus cargos na Esplanada dos Ministérios. “Todos vão se licenciar. Todos eles”, afirmou o vice-líder do governo na Câmara, deputado Darcísio Perondi (PMDB).

TUCANOS No sábado, Temer recebeu para um jantar no Palácio do Jaburu o senador Aécio Neves (MG), presidente licenciado do PSDB, e ministros tucanos. O governo tenta pacificar o partido e garantir a maioria dos votos dos deputados da legenda, a segunda maior da Câmara, contra a aceitação da denúncia da PGR.

Aécio defende a permanência do PSDB na base aliada, mas enfrenta resistência de setores que querem o desembarque, entre eles do presidente interino da sigla, senador Tasso Jereissati (CE).

Quatro dos 28 ministérios estão sob o comando de tucanos: Secretaria de Governo, com Antonio Imbassahy; Cidades, com Bruno Araújo – ambos participaram do jantar de sábado –; Direitos Humanos, com Luislinda Valois; e Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

Nesse domingo (30), depois de retornar de uma visita ao Rio de Janeiro para acompanhar o trabalho das Forças Armadas no estado, Temer voltou a se reunir, também no Jaburu, com ministros e deputados de sua base para tratar dos acertos finais na estratégia adotada para engavetar o processo. Um novo balanço dos votos, seria feito.

Fonte: Estado de Minas

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