A agropecuária representou cerca de 60% do valor adicionado bruto de Rio Paranaíba em 2021, segundo dados citados pelo Sistema Faemg Senar em análise sobre a produção de hortaliças em Minas Gerais. O levantamento destaca a dependência econômica do município em relação ao campo e os impactos que a queda na renda dos produtores pode provocar no comércio e na prestação de serviços.
A análise foi elaborada com base nos dados da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e integra a cartilha Mapeamento de Hortaliças – principais regiões e municípios produtores, publicada pelo Sistema Faemg Senar.
Minas Gerais tem participação expressiva na produção nacional de hortaliças. O estado responde por aproximadamente 46% da produção brasileira de cenoura, 44% de alho e 33% de batata-inglesa e abóbora.
Em 2025, a batata-inglesa liderou a produção entre as culturas analisadas, com 1,49 milhão de toneladas, seguida pela mandioca, com 625,4 mil toneladas; pelo tomate, com 585,2 mil toneladas; e pela cenoura, com 303,3 mil toneladas.
Na comparação com 2024, a produção de batata-doce cresceu 13%, e a de mandioca, 11%. A batata-inglesa registrou alta de 4%. Já a produção de alho caiu 11%, enquanto a de tomate teve redução de 1%.
Pressão sobre os produtores
Apesar da relevância do setor, produtores enfrentam dificuldades relacionadas aos preços, aos custos de produção, à concorrência externa e às condições climáticas. No caso do alho, as cotações caíram, em média, 43% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.
Segundo a analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Marotta, a redução da renda rural pode afetar a compra de insumos, máquinas e equipamentos, além de atividades como transporte, comércio, manutenção e prestação de serviços.
O estudo também aponta crescimento de aproximadamente 45% nas importações brasileiras de alho entre 2022 e 2025. Em junho, uma audiência pública realizada em São Gotardo discutiu os impactos da entrada de alho da Argentina e da China sobre os produtores da região.
Apoio à produção
Em 2025, o programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) atendeu 1.489 produtores, aumento de 65% em relação ao ano anterior, abrangendo mais de 2.800 hectares. No mesmo período, o Senar realizou 297 cursos, com 3.230 participantes.
O Sistema Faemg Senar também atua por meio do Centro de Referência em Olericultura, em São Gotardo, e da Comissão Técnica de Hortaliças e Flores, com iniciativas voltadas à capacitação, à adoção de tecnologias e ao fortalecimento da produção.
Com informações do Sistema FAEMG









