
De acordo com a investigação, a adolescente deu entrada inicialmente na unidade de pronto atendimento local após ingerir, voluntariamente, cerca de 36 comprimidos de uso controlado, o que já configurava um quadro clínico grave. Apesar disso, ela foi liberada pelo médico plantonista. Poucas horas depois, retornou à unidade apresentando convulsões severas e, mesmo com esforços posteriores, não resistiu.
A apuração da PCMG incluiu oitivas de testemunhas e laudos técnicos, e apontou falhas graves na conduta dos profissionais envolvidos. Um médico foi indiciado por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, por ter liberado a paciente de forma negligente, assumindo o risco da morte. Outro profissional foi indiciado por homicídio culposo, em razão de erro técnico durante o procedimento de intubação, que retardou a estabilização da jovem. O terceiro profissional foi responsabilizado por omissão de socorro, ao se recusar a admitir a paciente na UTI sob alegação burocrática, mesmo diante da gravidade do quadro.
O relatório final do inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para as providências legais. O caso causou forte repercussão em São Gotardo e em toda a região, reacendendo o debate sobre a responsabilidade profissional e os protocolos de atendimento emergencial em unidades de saúde.






