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Jeremias Brasileiro: Quando a fonte do povo e do buracão era lugar de encontro social

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Córregos e fontes antigamente, nas cidades pequenas principalmente, eram espaços sociais de convivências, de buscar água, de contar as notícias da cidade. Socializações de saberes, trocas de experiências, de conhecimentos sobre saúde, curas com remédios caseiros, e outros fazeres. Lembrar para contar e contar para não esquecer.

Minhas lembranças de infância em Rio Paranaíba, hoje me permitem retornar através das memórias e trazer o que a maioria dos jovens de hoje sequer imagina sobre os tempos em que existia uma “fonte do povo”, “um buracão”, lugares de lavar roupas, fonte das lavadeiras, lugares de sociabilidades também.

As mulheres colocavam rodilhas nas cabeças, ora para buscar água em lata de vinte litros, ora para trazer roupas em bacias, às vezes colocavam para secar nas pedras e arames na própria fonte. O maior prazer que sentia era no momento de ajudar a torcer as cobertas, os lençóis, mas os cobertores encharcados de água, exigiam uma força maior de nossos braços juvenis.

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A fonte também podia servir de encontros às escondidas, a moça ia buscar água e marcava de encontrar com o rapaz que também ia buscar água, mesmo que existisse desconfiança dos pais, pois, principalmente os homens, não eram afeitos a colocar lata de água na cabeça. As pessoas mais do Alto do Querosene se deslocavam para o buracão, que era também um lugar de aventuras para os meninos, por causa da dificuldade de acesso.

Essas fontes eram o que poderíamos dizer no tempo de hoje, o WhatsApp do passado, em que as informações sobre a cidade corriam de boca em boca, querer saber das novidades, era ir e estar na “Fonte do Povo” e no “Buracão”. Não sei como se encontra esses lugares atualmente, mas seria interessante transformá-los em patrimônio cultural da cidade e a partir dos mais velhos, ainda vivos, recontar suas histórias.

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