A morte de dois cães por suspeita de envenenamento, registrada na última quinta-feira (11) em Rio Paranaíba, continua causando comoção entre moradores. Em entrevista exclusiva ao Paranaíba Agora, o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) – Campus Rio Paranaíba, Alberto Carvalho, relatou como começou a cuidar dos animais há mais de três anos e descreveu a tristeza ao encontrá-los mortos.
Segundo o professor, tudo começou quando sua esposa, durante caminhadas pelo bairro Nossa Senhora Aparecida, passou a levar água e ração para alguns cães abandonados na região. Curioso, ele resolveu conhecer os animais e acabou se sensibilizando com a situação.
Na época, havia um casal de cães da raça Pelado Mexicano — considerada rara no Brasil — e uma cadela sem raça definida. Posteriormente, a fêmea da raça desapareceu, possivelmente adotada, permanecendo no local o macho, a cadela e um filhote do casal, que também já era adulto.
A partir daí, o professor passou a alimentar os animais diariamente. Os cães viviam em uma área isolada, entre troncos de árvores deixados após a abertura do loteamento. Para protegê-los da chuva, ele improvisou abrigos com lonas reaproveitadas e, mais recentemente, voluntários construíram uma casinha para os animais.
Além de água e ração, Alberto levava medicamentos, fazia a limpeza dos recipientes e contava com a ajuda de outros voluntários, entre eles os professores Marcelo, Rejane e a servidora Thamires, que assumiam os cuidados durante períodos de férias ou quando ele não podia comparecer.
Segundo o professor, apesar de serem extremamente medrosos, os animais eram dóceis.
“Eles vinham comer na minha mão. Eu fazia carinho no focinho deles e nunca tentaram me morder. Eram medrosos por causa dos maus-tratos que provavelmente sofreram antes, mas eram animais dóceis”, relatou.
O comportamento arredio, segundo ele, aparecia apenas quando alguém tentava pegá-los para vacinação ou tratamento. “Dava para perceber que tinham medo das pessoas”, contou.
Na manhã de quinta-feira, ao chegar ao local para a rotina diária de alimentação, Alberto encontrou dois dos cães mortos. O terceiro apresentava sinais de intoxicação e conseguiu sobreviver após receber medicação.
A principal suspeita é de que alguém tenha deixado alimento envenenado durante a madrugada. Não há câmeras de monitoramento na região e, até o momento, nenhum suspeito foi identificado.
Para o professor, o episódio é difícil de compreender.
“A gente fica pensando o que leva uma pessoa a fazer um ato desse. Eram animais que viviam isolados, longe das casas, e que só conheciam carinho”, lamentou.
Com a morte dos dois cães, resta apenas o filho do casal, um mestiço de Pelado Mexicano, que segue sendo acompanhado por voluntários. A preocupação agora é garantir a segurança do animal sobrevivente e evitar que novos casos de envenenamento aconteçam na cidade.
O caso reforça a preocupação com a sequência de crimes contra animais registrados em Rio Paranaíba nas últimas semanas. O envenenamento é considerado crime de maus-tratos e pode resultar em pena de até cinco anos de prisão, além de multa e proibição da guarda de animais.










