Uma equipe de cientistas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) publicou um estudo em que é possível o diagnóstico do câncer de mama, ainda em estágio inicial, por meio de coleta sanguínea, sem necessidade da mamografia. A tese foi publicada, em 10 de outubro, no periódico científico International Journal of Molecular Sciences, na seção especial de biópsia líquida.
Ao todo, 110 mulheres participaram do estudo. Conforme a instituição, o trabalho é fruto de mais de uma década, na investigação de biomarcadores presentes no sangue que podem trazer novas respostas sobre o câncer de mama. “A principal delas é a descoberta da doença ainda no seu início, a tempo de evitar a metástase, que é quando as células cancerígenas atingem outras partes do corpo”, detalha a UFU.
O diagnóstico precoce é possível por meio da biópsia líquida, desenvolvida na universidade. De forma menos invasiva que em outros exames, nessa biópsia líquida, o sangue é coletado e passa por uma centrífuga que separa as suas partes. “Depois, as pesquisadoras observam essas partes em um citômetro de fluxo para identificar a presença ou a ausência de células tumorais malignas ou benignas”, acrescenta a instituição.
Um método mais simples para diagnosticar o câncer de mama poderia resolver o problema da má distribuição de mamógrafos pelo país, dentro da rede SUS. Uma reportagem de O TEMPO revelou que muitas mineiras precisam vivenciar um verdadeiro “calvário” para conseguir fazer um exame. Várias enfrentam mais de 100 km de estrada para fazer mamografia.
O estudo é orientado pela professora Yara Cristina de Paiva Maia, coordenadora do Grupo de Pesquisa em Biologia Molecular e Nutrição (Bionut), e foi coorientado pelo professor Luiz Ricardo Goulart Filho. Também integram a equipe as biomédicas Alinne Tatiane Faria Silva, pós-doutoranda no Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (PPGCSaúde); Letícia Lopes Dantas Santos, doutoranda no Programa de Pós-graduação em Genética e Bioquímica (PPGGB); e Izabella Cristina Costa Ferreira, doutoranda no PPGCSaúde; a enfermeira Lara de Andrade Marques, doutoranda no PPGCSaúde; e a graduanda Emanuelle Lorrayne Ferreira, do curso de Biotecnologia e do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibiti).
O Tempo









