Um grupo de 29 trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão em uma fazenda de milho, em Ibiá, no Alto Paranaíba, receberá cerca de R$ 203 mil em verbas trabalhistas após acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG).
De acordo com as investigações, os trabalhadores enfrentavam condições degradantes, com alimentação insuficiente e descontos abusivos por moradia e alimentação, o que gerava dívidas e dificultava a saída do local. Alguns relataram que chegaram a comer frutas caídas no chão para se alimentar.
O acordo prevê o pagamento médio de R$ 7 mil para cada trabalhador. O valor total será quitado em 24 parcelas mensais de R$ 8.458,33. Em caso de atraso, há previsão de multa de 20% sobre o saldo devedor.
Os trabalhadores foram resgatados no dia 6 de outubro de 2025 durante operação que contou com auditores fiscais do trabalho, Polícia Federal e o MPT. No local, eles atuavam na colheita manual de palha de milho, sem registro em carteira e submetidos a jornadas exaustivas.
Segundo o MPT, a rotina começava ainda de madrugada, com saída por volta das 4h de Araxá até a fazenda, em um trajeto de aproximadamente 2h30. O retorno ocorria apenas no fim do dia, sem pausas adequadas para descanso ou alimentação, e sem folgas semanais.
O trabalho era realizado sob sol ou chuva, com uso de facas e esforço físico intenso. Não havia estrutura adequada para descanso ou refeições.
A investigação também identificou a prática de servidão por dívida, com descontos que mantinham os trabalhadores presos à atividade. Sem recursos e dependentes de transporte fornecido por intermediadores, muitos não conseguiam deixar o local.
Os alojamentos, localizados em Araxá, foram considerados precários, com superlotação, falta de água potável e ausência de condições básicas de higiene.
Após o resgate, o MPT ingressou com ação judicial e obteve o bloqueio de bens dos responsáveis para garantir o pagamento das indenizações. A Justiça do Trabalho determinou restrições sobre uma fazenda e uma caminhonete.
O acordo também estabelece obrigações como registro em carteira, pagamento de salários dentro do prazo, descanso semanal, fornecimento de água potável e melhorias nos alojamentos. O descumprimento pode gerar multa de R$ 5 mil por trabalhador.
Apesar do acordo, os trabalhadores ainda podem buscar a Justiça para pleitear valores adicionais. O caso segue em tramitação.
Com informações do g1










