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Reinados, Congados e Congadas são reconhecidos como Patrimônio Cultural do Brasil; historiador destaca importância para o Alto Paranaíba

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Nesta terça-feira (17), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, por unanimidade, o registro dos Saberes do Rosário: Reinados, Congados e Congadas como Patrimônio Cultural do Brasil. A decisão foi tomada durante a 109ª reunião do Conselho Consultivo do Iphan, realizada de forma virtual, e representa um marco histórico para a preservação da ancestralidade afro-brasileira e a valorização das tradições religiosas e culturais que atravessam séculos de história.

O reconhecimento abrange práticas culturais desenvolvidas em diversos estados, com destaque para Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Segundo o Iphan, trata-se de um conjunto de saberes que, por meio da devoção ao Rosário, mantêm vivas as tradições herdadas de povos africanos escravizados. São expressões como moçambiques, congados, catopês, marujos, caboclinhos e tamborzeiros, além da tradicional coroação de reis e rainhas congoleses durante as festividades do Rosário.

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A conselheira e relatora do processo, Alessandra Ribeiro Martins, destacou a força simbólica e histórica da manifestação: “É um modo de vida ancestralizado que expressa a resistência cultural e espiritual dos povos negros, que enfrentaram a escravidão no passado e o racismo estrutural nos dias de hoje”.

Reconhecimento fortalece tradição em Rio Paranaíba e região

A região do Alto Paranaíba, tradicionalmente marcada pelas festas de Congado e pelos ternos de Moçambique e Congadas, também é diretamente beneficiada com essa conquista. Municípios como Rio Paranaíba e Carmo do Paranaíba têm forte ligação com essas expressões culturais e religiosas, especialmente por meio dos seus reinados e festejos do Rosário, preservados por gerações.

Em entrevista ao Paranaíba Agora, o historiador Jeremias Brasileiro celebrou o reconhecimento e destacou a longa trajetória até essa conquista. “É uma luta que estamos travando desde 2006. Foram quase 20 anos de persistência, passando por mudanças institucionais e de governo. Mas nunca perdemos a fé em nossos ancestrais”, afirmou. Jeremias ainda relembrou que o pedido de registro saiu de Uberlândia, liderado por ele e Anderson Ferreira, e envolveu outros sete municípios.

Segundo ele, esse é um momento decisivo para o Alto Paranaíba:

“É fundamental que Rio Paranaíba, Carmo do Paranaíba e as cidades do entorno se reorganizem através dos seus detentores, para que possam conversar com os municípios e obter apoio institucional para a realização das nossas festas do Rosário. Agora, como Patrimônio Cultural do Brasil, merecemos esse respeito”.

Reparação histórica e salvaguarda da memória afro-brasileira

O presidente do Iphan, Leandro Grass, destacou que o reconhecimento dos Saberes do Rosário é também um ato de justiça social e reparação histórica:

“O que realizamos hoje foi mais do que um reconhecimento, foi um compromisso com a ancestralidade e com a memória do nosso povo”.

Além do registro, o Iphan se comprometeu a implementar um plano de salvaguardas, com ações de promoção e valorização dessas manifestações em todo o território nacional.

Caminho para o futuro

A expectativa, segundo Jeremias, é que o reconhecimento motive novas ações em prol da cultura tradicional na região:

“Esperamos que Rio Paranaíba possa reencontrar, reorganizar e levantar novamente a Festa do Rosário. A partir de agora, é nosso direito fazer valer a importância da nossa tradição”.

O registro dos Saberes do Rosário é mais do que uma celebração cultural — é a reafirmação da identidade de comunidades que resistem, preservam e celebram suas raízes com fé, ritmo, cor e ancestralidade.

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