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Raposa goleia o Vasco e está de volta à elite nacional

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Edu, artilheiro do Cruzeiro na temporada, marcou o segundo gol e incendiou o Mineirão — Foto: Flávio Tavares/O Tempo

Nas últimas rodadas da Série B do Campeonato Brasileiro, passou-se a ouvir, aqui e acolá, que o Cruzeiro já havia subido. Restava saber apenas quando. Este dia, enfim, chegou. Nesta quarta-feira, 21 de setembro de 2022, foi sacramentado o acesso da Raposa à elite do futebol nacional. Quando o árbitro Flavio Rodrigues de Souza soprou pela vez derradeira o apito no Mineirão, no triunfo sobre o Vasco por 3 a 0, pela 31ª rodada, a China Azul se libertou definitivamente do purgatório, para bradar a plenos pulmões o reencontro com o paraíso: “voltei”.

Filipe Machado, Edu e Luvannor marcaram os gols que fizeram o Gigante da Pampulha balançar e rememorar os melhores momentos vividos em jornadas estreladas. Com 68 pontos, o time do Barro Preto assegurou, de forma antecipada, a primeira das quatro vagas à Série A em 2023. Ainda restam sete partidas para o fim do campeonato. Mas os cruzeirenses não querem nem saber. Com a sensação de alívio, devem estar pensando: eles que lutem. Afinal, “chegou a hora de quem sorriu, sofrer”.

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Para os cerca de nove milhões de cruzeirenses espalhados por Minas Gerais e Brasil afora, trata-se de um retorno ansiado há 107 intermináveis rodadas. Alívio para gente que se acostumou a chorar, mas de alegria, pelas conquistas de um gigante, momentaneamente reduzido a quase pó. Derrocada arquitetada por mentes dotadas por doses cavalares de incompetência, com apetite insaciável por recursos e paixão alheios.

Foram três anos disputando a Série B, desde a queda em 8 de dezembro de 2019. Ano que parece não ter terminado para aqueles e aquelas que têm o azul e branco como segunda pele. Passaram-se 1.018 dias, de tormento e aflição para a China Azul. Mas, por ironia do destino, o então menino Ronaldo, que surgiu na Toquinha em 1993, para ganhar o mundo com a bola nos pés, retornou a Belo Horizonte 29 anos depois para liderar a reconstrução do clube de 101 anos. E conseguiu!

Trouxe consigo recurso, profissionalismo, credibilidade, confiança, esperança. Também levou à Toca II, Paulo Pezzolano, o desconhecido treinador uruguaio de 39 anos, e sua turma que, no dia a dia de trabalho e à beira do gramado, construíram a identidade de um time com limitações técnicas reconhecidas, mas com sangue nos olhos e vontade inconteste de guerrear.

O acesso está carimbado, contudo, ainda há compromissos a cumprir e o título a buscar. Na próxima quarta-feira (28), os comandados de Pezzolano encaram a Ponte Preta, às 19h, no Moisés Lucarelli. O primeiro dos sete duelos que restam de uma temporada que marcou a reconciliação da torcida com o clube do coração. O ano de 2022 entra para a história do Cruzeiro de modo definitivo. Tempo presente que serviu para vislumbrar um novo futuro e, sobretudo, não se permitir os erros do passado recente.

O jogo
O Vasco tentou surpreender logo no início do confronto no Mineirão e foi para cima do Cruzeiro. No primeiro minuto, os cariocas tiveram três escanteios a favor, sendo um deles muito bem cobrado pelo experiente Nenê. Após o susto inicial, a Raposa se encontrou em campo e passou a fazer o seu jogo de marcação pressão e tentativa de saídas rápidas para o ataque, com Stênio aberto pela direita e Kaiki, pela esquerda. Contudo, o time estrelado encontrou dificuldade para furar o bloqueio defensivo.

O Vasco, por sua vez, buscava sair com o jovem Eguinaldo, na ponta esquerda, e o experiente Nenê, movimentando-se por vários setores e tentando segurar a bola.

Com o passar do tempo, o time estrelado assumiu o controle do confronto. Empurrou o rival para o seu campo e chegou a ter 61% de posse de bola contra 39% do Vasco. A pressão surtiu efeito aos 24 minutos, quando Eguinaldo tentou iniciar a jogada pouco à frente da grande área carioca, mas escorregou. Filipe Machado roubou e bateu de esquerda. O chute de canhota, aparentemente despretensioso, desviou em Danilo Boza e “vendeu” Thiago Rodrigues. O gol fez o Mineirão tremer.

A Raposa ficou mais à vontade e mais segura em campo, com o atacante Bruno Rodrigues dando trabalho aos marcadores do Vasco. O camisa 9, inclusive, mandou uma bola na trave, em cobrança de falta.

A segunda etapa “acabou” aos 14 minutos. Em um contra-ataque impressionante, Wesley Gasolina que havia entrado pouco tempo antes, deu lindo passe para Bruno Rodrigues que avançou, entrou na área e rolou para Edu marcar e levar o Mineirão ao delírio. Ali, o acesso estava sacramentado. No entanto, houve tempo para mais. Aos 40, Luvannor bateu de canhota, a bola desviou no zagueiro e foi para o fundo da rede, para completar a festa da China Azul.

FICHA TÉCNICA

CRUZEIRO 3 x 0 VASCO
Motivo: 31ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro
Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Gols: Filipe Machado, aos 24 minutos do primeiro tempo; Edu, aos 14, Luvannor, aos 40 minutos do segundo tempo
Cartões amarelos: Stênio e Kaiki (C); Paulo Victor e Yuri Lara (V)
Árbitro: Flavio Rodrigues de Souza (Fifa-SP)
Assistentes: Alex Ang Ribeiro e Gustavo Rodrigues de Oliveira

CRUZEIRO: Rafael Cabral; Zé Ivaldo, Lucas Oliveira e Eduardo Brock; Stênio (Wesley Gasolina), Filipe Machado, Neto Moura (Willian Oliveira), Bruno Rodrigues e Kaiki; Edu e Lincoln (Daniel Júnior). Técnico: Paulo Pezzolano

VASCO: Thiago Rodrigues; Léo Matos (Gabriel Pec), Danilo Boza, Anderson Conceição e Paulo Victor (Edimar); Yuri Lara, Andrey Santos, Marlon Gomes (Fábio Gomes) e Nenê (Alex Teixeira); Eguinaldo e Raniel (Figueiredo). Técnico: Jorginho

Público: 59.204 pagantes

Renda: R$ 2.974.486,00

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Escrito por

Redação Paranaíba Agora

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