A crise econômica enfrentada pelo setor agropecuário tem levado diferentes municípios do Alto Paranaíba a adotarem medidas para reconhecer oficialmente as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais.
Depois de Rio Paranaíba declarar situação de emergência econômica no setor agropecuário, os municípios de São Gotardo e Serra do Salitre também formalizaram medidas semelhantes. Documentos municipais apontam problemas relacionados à redução das margens de produção, aumento dos custos, dificuldades de comercialização, perdas acumuladas, comprometimento do fluxo de caixa e crescimento do endividamento.
São Gotardo
Em São Gotardo, o Decreto nº 263, de 17 de agosto de 2026, declarou situação de emergência econômica no setor agropecuário. O município destaca a importância da atividade rural para a economia local e regional e aponta dificuldades enfrentadas por diferentes cadeias produtivas.
O decreto cita culturas como soja, milho, feijão, trigo, sorgo, café, alho, cebola, batata, cenoura e outras hortaliças, além da fruticultura e das pecuárias leiteira e de corte.
Entre os dados apresentados pelo município está a situação da produção de grãos. Segundo o documento, a soja registra preço médio de R$ 114 por saca, enquanto o custo de nivelamento estaria entre R$ 141 e R$ 146. No milho safrinha, o preço médio informado é de R$ 57 por saca, diante de custos entre R$ 82 e R$ 86.
O decreto também aponta dificuldades na cadeia do alho, além de prejuízos registrados em culturas como cenoura, batata e cebola.
Serra do Salitre
Em Serra do Salitre, o Decreto nº 063/2026, publicado em 18 de agosto, também declarou situação de emergência econômica no setor agropecuário.
O município afirma que a crise é resultado de fatores semelhantes aos observados em outras cidades da região e cita expressamente São Gotardo, Ibiá e Rio Paranaíba como municípios que também declararam situações de emergência econômica no setor.
A medida abrange diferentes atividades, entre elas soja, milho, feijão, trigo, sorgo, café, alho, cebola, batata, cenoura, outras hortaliças, frutas e pecuária.
O decreto estabelece que a medida tem natureza econômica, social e setorial e não representa estado de emergência ou calamidade pública para fins de Defesa Civil.
Problema regional
Os documentos mostram que as dificuldades não estão restritas a um único município. A própria fundamentação utilizada por Serra do Salitre aponta a existência de uma crise regional no setor agropecuário, com reflexos também sobre o comércio, os serviços, o emprego e a arrecadação municipal.
Em São Gotardo, por exemplo, o município destaca que a movimentação econômica do campo influencia diretamente o comércio e o setor de serviços.
As declarações têm como um dos objetivos ampliar a articulação dos municípios com os governos estadual e federal, instituições financeiras, cooperativas de crédito e entidades representativas, além de dar suporte aos produtores em processos de renegociação e reestruturação de obrigações rurais.
Em São Gotardo e Serra do Salitre, os decretos têm validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogados caso permaneçam as circunstâncias que motivaram as medidas.
Nota: Ibiá também aparece expressamente nos documentos como município que já havia adotado medida semelhante, por meio do Decreto Municipal nº 6.984, de 28 de julho de 2026.









